Livro sobre as fortificações

O livro “As defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786” é de autoria dos arquitetos Roberto Tonera, da Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (SeCArte/UFSC), e Mário Mendonça de Oliveira, da UFBA. Sua primeira edição ocorreu em setembro de 2011 e a segunda edição revisada (224 p., capa dura, ilustrado, colorido) aconteceu em julho de 2015. A maior parte dos exemplares das duas edições teve distribuição gratuita para escolas, universidades, bibliotecas, arquivos, casas de memória, entidades de preservação e instituições culturais diversas, e parte da tiragem da 2ª edição pode ser adquirida na Editora da UFSC.

O manuscrito original Defesa da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro, elaborado entre 1786 e 1789 pelo engenheiro militar José Correia Rangel – hoje pertencente ao acervo do Arquivo Histórico Militar de Lisboa –, é um dos documentos mais antigos e importantes da história das fortificações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Nesta edição da obra optou-se pela publicação do fac-símile do documento (tabelas, mapas, plantas das fortificações e uniformes das tropas), acompanhado de sua transcrição com ortografia atualizada. Acrescentou-se ao original alguns conteúdos adicionais e didáticos, em forma de textos introdutórios e notas explicativas – complementados com fotografias das fortificações ainda existentes, outras iconografias da época e um glossário ilustrado –, que buscam auxiliar na compreensão dos termos técnicos e na contextualização dos dados apresentados por Rangel. O livro também traz encartado um CD-ROM, desenvolvido pelo Projeto Fortalezas Multimídia, com o conteúdo integral da obra impressa, acrescido de outros recursos virtuais. Essa publicação busca contribuir para a pesquisa sobre o cotidiano da vida militar nos fortes e vilas da segunda metade do século XVIII, para o estudo das fortificações portuguesas no Brasil, para a compreensão das origens históricas dos dois estados do Sul, bem como para a valorização de nossa memória e do nosso patrimônio cultural.


2ª Edição (2015)

A segunda edição da obra foi lançada em julho de 2015.  Contou com o patrocínio do Programa Mecenas, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura/Governo Federal, e o apoio cultural do Exército Brasileiro, por intermédio de sua Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural, e da Fundação Cultural Exército Brasileiro. O projeto de reedição, proposto ao MinC pela empresa Plural Cultural, possibilitou a produção de uma tiragem de dois mil exemplares, dos quais uma parte foi destinada à doação para diversas instituições sem fins lucrativos e para público de baixa renda, enquanto uma outra parte é comercializada diretamente pela Editora da UFSC e outras livrarias conveniadas.

 

 

Sumário:


Prefácio: 

  

José Correia Rangel de Bulhões, um engenheiro militar

Falar sobre o engenheiro militar Rangel implica situálo no quadro de uma das mais importantes carreiras militares dos exércitos do passado, principalmente entre os séculos XVII e XIX. Essa importância foi sensivelmente maior para as nações colonizadoras, como Portugal, que se estabeleciam, por vezes, em domínios nos quais tudo estava por se construir e com imensas demarcações territoriais a serem definidas e defendidas. Como nos primeiros tempos não havia regulamentação precisa da carreira do Engenheiro Militar nas forças armadas lusitanas, principalmente no além-mar, esses profissionais, normalmente, conservavam a sua vinculação funcional à arma de origem, como o nosso Rangel, que iniciou a sua carreira militar como Ajudante de Infantaria com Exercício de Engenheiro.

Introdução

Na Introdução é apresentado ao leitor alguns dados adicionais sobre as fortificações, não mencionados por Rangel; informações básicas sobre o panorama histórico no qual o documento original foi elaborado, bem como alguns esclarecimentos sobre artilharia e a organização das tropas naquele período. Os textos complementares tem o objetivo de permitir a contextualização do manuscrito no tempo e no espaço e possibilitar um melhor entendimento de seu conteúdo. Na parte central da publicação foi colocado justapostos o fac-símile e a sua correspondente transcrição com a ortografia atualizada. As diversas abreviaturas utilizadas por Rangel foram reescritas por extenso e modernizaram-se grafias antigas como Jozé, xifre, entre outras, permanecendo inalterados, no entanto, certos nomes e palavras, como Ignácio, Bartholomeu e polvarinho, por exemplo, que ainda hoje são admitidos com a mesma grafia original. A transcrição também manteve a mesma sequência de palavras que Rangel empregou na sua relação dos gêneros, embora muitas vezes essa listagem não obedeça a uma ordem alfabética rígida. Em todos os casos, o leitor pode sempre comparar, lado a lado, a versão moderna com o seu original. A transcrição conta ainda com notas adicionais dos organizadores, reunidas ao final desse capítulo principal. São comentários e observações que procuram complementar os dados apresentados pelo autor, além de informar sobre curiosidades, prestar esclarecimentos técnicos sobre critérios de transcrição utilizados e sobre termos com significado desconhecido, ou ilegíveis, presentes no texto original.

  

Mapa 1: mapa de São Francisco do Sul até a Colônia do Sacramento
Mapa 2: mapa das fortificações na Ilha de Santa Catarina
Mapa 3: mapa das fortificações no Rio Grande do Sul
Mapa 4: mapa espanhol das fortificações na Praia de Fora, c. 1778

Fortaleza de Santo Antônio de Ratones
Essa fortificação está localizada na ilha de ratones grande, em meio à chamada Baía norte da Ilha de Santa Catarina. Terceiro vértice do sistema defensivo da Barra norte, sua construção teve início também em 1740. A fortaleza apresenta a maioria das suas construções localizada em um único platô, conformado por uma muralha de pedra, em formato curvo a nordeste, e que segue retilineamente para sudoeste. os edifícios foram erguidos em uma linha contínua sobre esse terrapleno principal, descortinando o mar à sua frente e protegidos na retaguarda pela encosta natural.o paiol da pólvora, mais isolado, possuía dois pavimentos (hoje em ruínas) e ocupava uma posição mais elevada no terreno, como era tradicional naquela época.

Artilharia e tropas luso-brasileiras no século XVIII

Embora rangel não discrimine o modelo da artilharia existente nas fortificações, mas apenas o metal de sua fabricação e os calibres existentes, é bastante provável que esse padrão inglês estivesse presente nas obras defensivas de santa catarina e do rio grande do sul, em 1786/89, tanto por ter sido a inglaterra um dos maiores fornecedores de peças de ferro para portugal – vendidas ou cedidas quando os dois países eram aliados nas guerras contra frança e espanha – como pela abundância de exemplares desse tipo de armamento hoje remanescentes nos fortes catarinenses e ao longo de todo o litoral brasileiro. o modelo digital da carreta de artilharia, por sua vez, foi elaborado com base em desenho de 175788 e adaptado às dimensões do canhão já citado. tanto a maquete digital quanto as considerações a seguir – circunscritas à artilharia do período abordado por rangel – foram também embasadas na obra do mestre Alpoim89 e no manual90 sobre material de artilharia produzido pelo ipHan e contaram com as orientações técnicas do historiador Adler homero fonseca de castro.

         
Fig 1: reconstrução digital de canhão do século XVIII e sua carreta
Fig 2: partes do canhão e petrechos de artilharia
Fig 3: partes da carreta de artilharia 

Uniformes de soldados
 

Transição 

Defesa da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro dividida em duas partes: a primeira contém as fortificações e uniformes da tropa da Ilha de Santa Catarina. A segunda, o que pertence ao Rio Grande Feito por José Correia Rangel Ajudante de Infantaria com exercício de Engenheiro.

 

 

 

 

Glossário
O Glossário, parcialmente ilustrado, foi outro conteúdo complementar julgado fundamental acrescentar à obra original, possibilitando ao leitor ampliar a compreensão sobre um documento permeado de muitos termos técnicos, em especial aqueles utilizados no meio militar do século XVIII . Os verbetes buscaram se limitar estritamente ao enfoque empregado no texto de Rangel. Assim, por exemplo, o termo “Alqueire” ficou definido apenas como medida de volume, e não de área, pois o autor o utiliza somente nessa primeira conotação (alqueire de farinha, de cal, de sal). Outros termos, por sua vez, apresentam múltiplos conceitos, em especial alguns daqueles que integram a já citada listagem dos gêneros, pois a ordem alfabética ali empregada, sem relação de contexto com as demais palavras sequenciais da lista, torna difícil identificar a qual dos possíveis significados Rangel estaria de fato se referindo. Esse glossário foi embasado no léxico publicado no livro Muralhas de pedra, canhões de bronze, homens de ferro (CASTRO , 2009), nas informações presentes na obra Exame de artilheiros (ALPOIM, 1744) e no Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa.

   

Notas biográficas dos organizadores

Livro na mídia:

Internet:

http://noticias.ufsc.br/2011/09/08/lancamento-de-livro-da-edufsc-sobre-fortalezas-e-sucesso/http://noticias.ufsc.br/2011/08/19/lancamento-de-livro-sobre-as-fortalezas/http://secarte.ufsc.br/2011/08/30/obra-que-redescobre-manuscrito-com-historia-das-fortalezas-sera-lancada-em-6-de-setembro-2/http://www.ndonline.com.br/florianopolis/plural/livro-sobre-a-vida-dentro-das-fortalezas-e-lancado-em-florianopolis.htmlhttp://www.clicrbs.com.br/especial/sc/rbstvsc/19,0,3476397,Contatos-do-Bom-Dia-SC-de-06-de-Setembro.htmlhttp://tesourobibliografico.wordpress.com/2011/08/29/lancamento-as-defesas-da-ilha-de-santa-catarina-e-do-rio-grande-de-sao-pedro-em-1786/http://www.rodrigotrespach.com/2011/08/25/as-defesas-da-ilha-de-santa-catarina-e-do-rio-grande-de-sao-pedro-em-1786/http://www.fortalezas.ufsc.br/http://www.mhsc.sc.gov.br/index.php?mod=pagina&id=12325http://bagosdeuva.blogspot.com/2011/09/as-defesas-da-ilha-de-santa-catarina-e.htmlhttp://www.fortalezasmultimidia.com.br/novidades/http://www.portaldailha.com.br/noticias/lernoticia.php?id=9372http://hotelsaosebastiao.com.br/blog/obra-literaria-contara-a-historia-das-fortalezas-da-ilha/http://correiocidadao.com.br/florianopolis/livro-registra-historia-das-fortalezas-da-ilhahttp://www.revistadehistoria.com.br/secao/agenda/fortalezas-em-livrohttp://www.editora.ufsc.br/noticia/detalhe/id/30http://www.fcc.sc.gov.br/index.php?mod=pagina&id=12325&grupo=288http://twitter.com/#!/RHBN/status/106546346126872577http://www.guiasaojose.com.br/coluna_ler.asp?id=5555http://correiodailha.com.br/lernoticia.php?id=9372http://www.centrodeconvencoes.com.br/index.asp?dep=5&pg=705http://escritoresaltovale.wordpress.com/http://www.joaquimevonio.com/Agenda/ago2011_agenda_40_fortalezas.htmlhttp://www.deolhonailha.com.br/noticias/_livro_sobre_historia_das_fortalezas_da_ilha_sera_lancado_no_museu__historico_de_santa_catarina.php?&p_init=17960http://sc5.com.br/?p=13604http://www.exxtra.com.br/main.php?page=noticia.php&idnoticia=9156http://floripanews.com.br/ver_not.php?id=81091&ed=Cultura&cat=Not%EDciashttp://www.clmais.com.br/entreterimento/25042/

Confira abaixo as imagens dos eventos de lançamento do livro que ocorreram em Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador  e Veracruz (México).

   

1ª Edição (2011)

A primeira edição da obra foi lançada em setembro de 2011. Teve patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Florianópolis/Fundação Cultural Franklin Cascaes e contou com o apoio cultural da Unimed Grande Florianópolis. Com uma tiragem de mil exemplares, a obra foi distribuída gratuitamente às escolas públicas, meios de comunicação e instituições ligadas à memória e patrimônio. O lançamento da obra aconteceu em Florianópolis, no Palácio Cruz e Sousa. Esteve presente no evento de lançamento o coronel Aniceto Afonso, ex-diretor do Arquivo Histórico Militar de Lisboa, autor do texto de apresentação do livro. Confira abaixo imagens do lançamento da 1ª edição do livro.

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Prefácio do livro (segunda edição de 2015)

O manuscrito original Defesa da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro, elaborado entre 1786 e 1789 pelo engenheiro militar José Correia Rangel, é um dos documentos mais antigos e importantes da história das fortificações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Apesar disso, nunca havia sido publicado integralmente. Ineditismo que talvez possa ser em parte atribuído ao seu rígido formato de relatório técnico: apesar de ilustrado com belas aquarelas é composto basicamente de tabelas e listagens de armamentos e tropas, não possui textos descritivos ou explicações adicionais de contexto histórico; é escrito com letra cursiva, em português do século XVIII, e está repleto de abreviaturas e terminologia castrense. Todos esses fatores combinados certamente dificultavam o seu entendimento e a apreensão de seu conteúdo por um público não especializado. Dessa forma, a decisão de resgatar e publicar na íntegra esse valioso manuscrito, quase tão antigo quanto as próprias cidades que documenta, nos colocava diante da desafiadora missão de realizá-lo por meio de uma edição atraente, tornando a sua leitura mais prazerosa e eficaz. Para tanto optamos pela publicação do fac-símile do documento, acompanhado de sua transcrição com ortografia atualizada. Acrescentamos ao original alguns conteúdos adicionais e didáticos, em forma de textos introdutórios e notas explicativas – complementados com fotografias das fortificações ainda existentes, outras iconografias da época e um glossário ilustrado –, que buscam auxiliar na compreensão dos termos técnicos e na contextualização dos dados apresentados por Rangel. Caberá agora ao leitor julgar se obtivemos êxito.

O manuscrito original é dividido em primeira e segunda parte, contendo, respectivamente, o levantamento das fortificações e dos uniformes das tropas da Ilha de Santa Catarina (na atual Florianópolis) e do Rio Grande de São Pedro (primeira cidade do Rio Grande do Sul). Entre suas 76 páginas estão 29 estampas coloridas, com desenhos aquarelados dos uniformes, das plantas das fortificações e dos mapas gerais de levantamento dos lugares fortificados das duas povoações. Rangel apresenta ainda relações precisas das guarnições militares existentes, metodicamente discriminadas e quantificadas, bem como um arrolamento minucioso dos armamentos e demais petrechos de artilharia, presentes em cada uma das fortificações abordadas. A parte final do documento traz um detalhado inventário de todos os gêneros existentes nos armazéns das vilas gaúchas de Rio Grande, Porto Alegre e Rio Pardo. Trata-se de uma listagem pormenorizada e, curiosamente, em ordem alfabética, contendo uma grande variedade de nomes e quantidades de armas, munições, ferramentas, utensílios, móveis, tecidos, vestimentas, medicamentos; objetos de uso pessoal, religioso e militar; acessórios de montaria e veículos de transporte, entre outros artefatos e equipamentos diversos.

Um manuscrito dessa natureza representa um rico documento de fonte primária, de suma importância: para a pesquisa sobre o cotidiano da vida militar em nossos fortes e vilas da segunda metade do século XVIII, para o estudo das fortificações portuguesas no Brasil, para a compreensão das origens históricas dos dois estados do Sul, bem como para a valorização de nossa memória e do nosso patrimônio cultural. A relevância do documento se amplia ainda mais para o estado gaúcho, não só em função do já mencionado inventário dos gêneros, mas sobretudo porque todas as fortificações no Rio Grande do Sul, citadas pelo autor, desapareceram completamente ainda no século XIX.

Esse relatório de Rangel pertenceu posteriormente à coleção de documentos do General de Divisão do Exército Português Jaime Agnelo dos Santos Couvreur (1842-1911), grande colecionador de manuscritos, em especial sobre uniformes, tendo sido adquirido em 1919 pela Livraria dos Paulistas, instalada na igreja de Santa Catarina, em Lisboa, e que pertencia então à Biblioteca do Ministério da Guerra, depois incorporada à Biblioteca do Exército Português. A redescoberta tardia desse único exemplar existente pode ajudar a explicar por que o documento não consta da relação de trabalhos atribuídos a Rangel por Sousa Viterbo, em obra publicada alguns anos antes (1904). Esse autor cita inclusive um outro levantamento semelhante sobre uniformes, armamentos e tropas que o nosso engenheiro militar realizou no Rio de Janeiro, no mesmo ano de 1786. Nada comenta, porém, sobre esse trabalho no Sul do Brasil.

O manuscrito original pertence hoje ao acervo do Arquivo Histórico Militar de Lisboa, onde é conhecido informalmente com o nome de Códice de Santa Catarina. Foi no Arquivo Militar, há poucos anos, que tomamos contato direto com o documento e nos propusemos a publicá-lo, iniciativa que contou com a imediata aceitação e incentivo daquela renomada instituição e de seu então diretor, o Coronel Aniceto Afonso, que hoje muito nos honra com a Apresentação da presente obra, num texto que ressalta, sobretudo, a importância da preservação dos acervos documentais e o relevante papel das instituições que se empenham nessa missão.

Na presente edição, acrescentamos uma pequena nota biográfica sobre o desconhecido engenheiro militar José Correia Rangel de Bulhões, que nem sempre assinava todos os seus trabalhos com esse último sobrenome, como ocorre nesse documento. Esperamos assim destacar para o leitor a importância que esses engenheiros desempenharam nos primórdios de nossas vilas coloniais. Eles foram nossos primeiros urbanistas e projetistas de fortificações, igrejas, palácios, edifícios administrativos, entre tantas outras obras precursoras, civis e militares, muitas delas ainda presentes nos centros históricos de nossas cidades. Almejamos também que os pesquisadores interessados possam seguir a trilha que deixamos indicada sobre os demais trabalhos elaborados por Rangel, muitos deles pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional e do Arquivo Histórico do Exército, ambos no Rio de Janeiro, e que isso futuramente resulte em novas contribuições ao estudo de nossas fortificações e cidades.

Na Introdução apresentamos ao leitor alguns dados adicionais sobre as fortificações, não mencionados por Rangel; informações básicas sobre o panorama histórico no qual o documento original foi elaborado, bem como alguns esclarecimentos sobre artilharia e a organização das tropas naquele período. Com esses textos complementares, não objetivamos, obviamente, escrever uma obra profunda sobre as fortificações no Sul do Brasil – o que de fato ainda necessita ser realizado -, mas apenas permitir a contextualização do manuscrito no tempo e no espaço e possibilitar um melhor entendimento de seu conteúdo.

Na parte central da publicação colocamos justapostos o fac-símile e a sua correspondente transcrição com a ortografia atualizada. As diversas abreviaturas utilizadas por Rangel foram reescritas por extenso e modernizaram-se grafias antigas como Jozé, xifre, entre outras, permanecendo inalterados, no entanto, certos nomes e palavras, como Ignácio, Bartholomeu e polvarinho, por exemplo, que ainda hoje são admitidos com a mesma grafia original. A transcrição também manteve a mesma sequência de palavras que Rangel empregou na sua relação dos gêneros, embora muitas vezes essa listagem não obedeça a uma ordem alfabética rígida. Em todos os casos, o leitor pode sempre comparar, lado a lado, a versão moderna com o seu original.

A transcrição conta ainda com notas adicionais dos organizadores, reunidas ao final desse capítulo principal. São comentários e observações que procuram complementar os dados apresentados pelo autor, além de informar sobre curiosidades, prestar esclarecimentos técnicos sobre critérios de transcrição utilizados e sobre termos com significado desconhecido, ou ilegíveis, presentes no texto original.

O Glossário, parcialmente ilustrado, foi outro conteúdo complementar que julgamos fundamental acrescentar à obra original, possibilitando ao leitor ampliar a compreensão sobre um documento permeado de muitos termos técnicos, em especial aqueles utilizados no meio militar do século XVIII. Os verbetes buscaram se limitar estritamente ao enfoque empregado no texto de Rangel. Assim, por exemplo, o termo “Alqueire” ficou definido apenas como medida de volume, e não de área, pois o autor o utiliza somente nessa primeira conotação (alqueire de farinha, de cal, de sal). Outros termos, por sua vez, apresentam múltiplos conceitos, em especial alguns daqueles que integram a já citada listagem dos gêneros, pois a ordem alfabética ali empregada, sem relação de contexto com as demais palavras sequenciais da lista, torna difícil identificar a qual dos possíveis significados Rangel estaria de fato se referindo. Esse glossário foi embasado no léxico publicado no livro Muralhas de pedra, canhões de bronze, homens de ferro (CASTRO, 2009), nas informações presentes na obra Exame de artilheiros (ALPOIM, 1744) e no Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa.

Na Bibliografia merece destaque a já mencionada obra Exame de artilheiros, por seu didatismo e abrangência de conteúdos. Embora escrita cerca de 40 anos antes do manuscrito de Rangel, ainda podemos julgá-la contemporânea do mesmo, visto que a artilharia empregada nas fortificações, em especial no Sul do Brasil, não se modificou de forma significativa nesse período.

Ao final da publicação há ainda uma relação de sites de Internet – com destaque para o Banco de Dados Internacional Sobre Fortificações (www.fortalezas.org) –, links cujo o acesso permitirá ao leitor ampliar seu conhecimento sobre todas as fortificações mencionadas nesta publicação.

O livro também traz encartado um CD-ROM multimídia, com o conteúdo integral da obra impressa, acrescido de recursos de interatividade e comunicação direta com a internet, contendo ferramenta de busca por palavras em todos os textos e interação dinâmica entre as diversas partes do CD. Devido à importância que a artilharia assume nesse trabalho de Rangel, a versão virtual da publicação conta ainda com uma maquete digital de um canhão do século XVIII, com recursos de animação tridimensional e informações ilustradas sobre esse principal armamento utilizado nas fortificações. (Os organizadores, setembro de 2011 – primeira edição).

Nos cabe por fim agradecer a todos que contribuíram para a realização da 2ª edição desta publicação, em especial à Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura/Governo Federal, ao patrocínio do Programa Mecenas e ao apoio cultural do Exército Brasileiro, por intermédio de sua Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural, e da Fundação Cultural Exército Brasileiro.

Com a proteção de Santa Bárbara, está feito!

Roberto Tonera e Mário Mendonça de Oliveira
(julho de 2015 – segunda edição)